Luxor: Vale dos Reis, Templos de Luxor e Karnak

Luxor foi a terceira capital do Egito antigo e a primeira do Médio Império (2160 – 1730 a.C.), anteriormente conhecida como Tebas. As primeiras se estabeleceram durante o Antigo Império (3200 – 2423 a.C.), sendo Tinis a primeira, seguida por Mênfis. Logo pela manhã, saímos para o lado ocidental da cidade para conhecer o famoso Cemitério Real de 62 faraós – o Vale dos Reis, isso mesmo, lá onde fica o famoso túmulo de Tutankamon.

Primeiro fomos até o Templo de Hatshepsut (a rainha que guia as princesas), construído pelos arquitetos do Novo Império durante o século 15 a.C. em Deir El-Bahari. Esse templo é belíssimo, com duas amplas rampas que levam até a sua fachada de colunas perfeitamente simétricas, dando boas vindas aos visitantes. Assim como os templos em Abu-Simbel, ele também foi construído em frente a uma grande montanha e a parte posterior se integra aos pés da grande rocha. Esse templo também uma sessão com hieróglifos preservados e cores, uma das vezes que vimos com nitidez a representação do céu, com muitas estrelas ainhadas em um fundo escuro. Boa parte desse templo foi restaurada, porém, a beleza e a grandiosidade permanecem.

Templo de Hatshepsut, esse não teve como escapar da aglomeração de turistas.

Em seguida, fomos até os Colossos de Memnon, duas grandes estátuas que, embora bastante danificadas, impõem respeito como se fossem dois guardiões em um portal, dando aquele olhar de autoridade para quem passa por ali.

Colossos de Memnon

Após almoçar, fomos até o vale onde a maior parte das tumbas está localizada. É interessante pensar que os locais mais preservados hoje foram aqueles mais bem escondidos do homem, afinal foram milhares de anos de guerras e saques por toda a região. Ainda hoje encontram-se novos túmulos, sendo que o mais célebre encontrado foi sem dúvida o de Tutankamon, pelo arqueologista Howard Carter, no ano de 1922. Seja pelo nível de preservação e quantidade de artefatos encontrados ou pela morte prematura desse jovem faraó, essa lenda segue viva em nossa imaginação.

O vale dos reis, especificamente onde estão as tumbas mais famosas, é uma das maiores atrações do Egito. Por isso, espere encontrar muitos turistas por lá (ainda assim menos do que os que vimos no Cairo, ao visitar as pirâmides de Gizé). Da recepção saem carrinhos de golfe levando para a região mais alta do vale, onde estão as tumbas.

Passando pelas feiras de artesanatos e souvenirs, tradicionais na entrada / saída dos templos.

Visitamos as tumbas de Ramsés IV, Ramsés XI e Ramsés III, todas magníficas. Para visitar a de Tutancâmon precisa pagar uma taxa extra, porém, vendo imagens na internet não pareceu tão atrativa assim por conta de ter sido terminada às pressas, já que ninguém previa uma morte tão repentina desse faraó. Fora isso, existem as lendas da maldição e como os descobridores da tumba foram falecendo ao longo do tempo sem causa clara, por isso uma fotinha na frente foi suficiente.

Entrada da tumba de Ramsés IV.

Ao entrar nas tumbas, que são túneis profundos escavados dentro da montanha, o que impressiona são as cores, que ficaram extremamente preservadas ao longo do tempo, diferente dos templos que mantiveram muitas vezes apenas o relevo dos hieróglifos. Conforme você caminha para o fundo, onde está o salão do sarcófago, todos os símbolos vão contando a história daquele faraó enterrado ali. É uma sensação rara pois essa conservação remete a uma obra recente, enquanto que na realidade foi feita há +2000 anos atrás. Depois de um tempo de longa admiração e uma longa caminhada, chegamos na sala do sarcófago, que é ampla, com pé direito alto. A sala sempre tem uma representação da deusa Nut, que engole o sol e o faz nascer novamente, sempre curvada curvada sobre a terra, adornada com estrelas, protegendo o seu irmão Geb, o deus da Terra, das águas caóticas do abismo. Esse céu estrelado me chamava muita atenção pois, assim como a deusa Isis e de Osiris, se destacava entre todos os símbolos.

Sala do sarcófago, a preservação dos hieróglifos com cores eram de impressionar!
Ana registrando os detalhes 🙂
Eu ainda impressionado com a raridade e detalhes em cada hieróglifo.

Esse dia foi longo e ainda pela tarde fomos até o templo de Luxor. Esse templo se conecta pela avenida das esfinges ao templo de Karnak, que visitamos na manhã seguinte. No templo de Luxor o destaque são as estátuas de Ramsés na entrada e outras dentro do templo que são feitas em granito, não em calcário como vimos nos outros templos. Imaginem que impressionante ver estátuas de mais de 10 metros de altura, pesando toneladas, talhadas em granito. Outro ponto que chama atenção nesses templos são os obeliscos, especialmente na entrada de Luxor tem um, porém deveriam ser 2, simetricamente posicionados. O outro foi enviado para a França como presente e hoje orna Praça da Concórdia em Paris. Outros obeliscos também foram saqueados e enviados para a Itália. Ficamos inconformados depois de entender toda essa história mas o nosso guia Amro disse em um tom bastante otimista que “eles hoje são uma ótima propaganda para o Egito e o turismo aqui”.

Estátuas gigantes de granito na entrada do templo de Luxor.
Uma das centenas de esfinges que ficam ao longo da avenida que conecta Luxor a Karnak.
Um dos obeliscos na entrada de Luxor.
Ana – a Rainha do Egito, desfilando no seu templo.

O templo de Karnak chamou minha atenção pelas colunas monumentais logo na sua entrada. Além disso, a área ocupada por esse templo é gigantesca e muito maior do que qualquer outro templo. Há ali um complexo de anexos ao templo e, para se ter uma ideia do tamanho, até um lago artificial (e simétrico, claro) foi construído ali.

Eu no Templo de Karnak.
Ana entre as monumentais colunas do Templo de Karnak e obelisco ao fundo.
Mais grandiosidade ao explorar o do Templo de Karnak.

Antes de finalizar a viagem fizemos um passeio de charrete novamente, agora explorando a noite árabe de Luxor. Era uma noite quente como sempre e dessa vez, por estar em uma cidade maior, conseguimos ver como a vida pulsa e é ativa durante à noite. O dia é muito exaustivo por conta do sol e calor, por isso o período da noite é ideal para sair, encontrar com amigos e fazer compras. O guia explicou que as lojas em geral abrem mais tarde e só fecham às 22~23h. Passamos pelo comércio, lojas de roupas com vestimentas muçulmanas, mercados de frutas e eletrônicos. Uma curiosidade foi que as crianças davam oi para as charretes, e faziam perguntas em inglês para os turistas, ficando em êxtase quando correspondíamos. Ouvimos muitos “hello” e “what`s your name?” nesse passeio.

Loja de roupas femininas, curiosamente chamada “Bonita” 🙂
Feira de rua, pujante mesmo durante à noite.

Nossa jornada pelo sul do Egito foi sensacional e saí realizado depois de explorar tanta história e a grandeza dessa civilização. Calma pois não terminou aí, pegamos o vôo de retorno ao Cairo para conhecer as grandes pirâmides de Gizé!

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