Cairo, Pirâmides Gizé e Esfinge, Museu do Cairo, Mercado Khan el Kalili e Alexandria

Depois de toda nossa jornada pelo Egito conforme o primeiro post, iniciando pelo Sul ou Alto Egito e então subindo para Norte, retornamos para o Cairo para finalmente visitar os monumentos mais famosos do mundo, as pirâmides de Gizé. Não importa se você nasceu no ocidente ou oriente, se é uma pessoa mais caseira ou viajante, ou mesmo um ermitão vivendo em isolamento. Se teve qualquer contato com a história do mundo, já viu, leu ou ouviu relatos sobre as famosas pirâmides.

Existem centenas de roteiros para visitar o Egito e o nosso particularmente nos deu a oportunidade de começar pelos templos e construções mais recentes, menores em tamanho porém feitas com muita técnica e arte capturadas na arquitetura e hieróglifos em cada parede e teto. Já as pirâmides são colossais mas sem tantos detalhes que estão presentes nesses primeiros. Cada roteiro irá gerar uma experiência e expectativa diferente, assim a recomendação é que a viagem inclua ambos os templos e construções recentes e os antigos, que se complementam historicamente e traduzem muito bem tanto a grandiosidade quanto a inteligência dos povos egípcios em todas as áreas de conhecimento.

Eu na base da pirâmide de Queóps.

Conforme o post sobre Luxor e Karnak, chegamos ao Cairo de avião a partir de Luxor. Ficamos no hotel Hilton Pyramids Golf, que se localiza mais próximo das pirâmides porém afastado do centro de Cairo e do Cairo islâmico. Depois de descansar no hotel, já no dia seguinte partimos para as pirâmides na região conhecida como a Necrópole de Gizé. Ali é o local com o maior número de turistas em todo o Egito então prepare-se para conviver com grupos de turistas atravessando de um lado para outro da necrópole, e claro, muitos vendedores. Embora esse fluxo tenha perturbado um pouco nossa experiência e contemplação do lugar, ainda assim não foi sufiente para eliminar toda a magia.

Após apresentar os ingressos e entrar, lá no alto vimos uma montanha de rochas, com uma base gigantesca, ninguém menos que a pirâmide de Queóps, mantendo sua imponência por 4600 anos (..and counting). Cada bloco do tamanho de um SUV posicionados milimetricamente um sobre o outro com o objetivo de elevar a construção até o sol. Tiramos algumas fotos ali e ficamos contemplando todo o cenário boquiabertos, sem acreditar que estávamos realmente em frente a esse símbolo tão importante da historia antiga do mundo.

Ana e a pirâmide de Quefren ao fundo.

Seguindo o passeio, montamos em dois camelos (pensa em um animal alto!) para nos levar até as outras duas pirâmides, Miquerinos (menor, que pode ser reconhecida por sua fenda no centro) e de Quefren (que ainda preserva um pouco da superfície original e lisa no seu topo, como se fosse um chapéu). Pelo caminho, o guia compartilhou algumas informações como a perfeição e encaixe dos ângulos das arestas das pirâmides e seu posicionamento ali no planalto. Não chegamos a entrar nelas mas existe essa opção por uma taxa adicional. Como já vínhamos de uma longa jornada de exploração de templos e tumbas, achamos que não seria tão relevante adicionar ao passeio – inclusive porque os túneis dessas pirâmides são mais rústicos e sem a quantidade de detalhes dos templos que visitamos. O guia também compartilhou um resumo da resiliência do local mesmo após tantas guerras, ganância e loucura de diferentes líderes que tentaram sem sucesso bombardear ou re-utilizar as rochas para construção de outros edifícios – um absurdo inimaginável hoje.

Detalhes e alinhamento entre as pirâmides.

Chegamos em um lugar mais distante onde foi possível ver todas as pirâmides alinhadas, um excelente mirante, mais tranquilo e ótimo para observar os monumentos. Ali passamos um momento bastante especial e que ficou gravado na nossa memória.

😉

Retornando para o local de entrada, caminhamos mais um pouco até chegar na Esfinge, outro monumento icônico e que também sobreviveu ao tempo, embora com o rosto bastante deteriorado.

Eu e a Esfinge.

Caminhamos muito pelas salas, aposentos dos construtores, engenheiros e arquitetos e todas as estruturas base para a construção dos túmulos. Fizemos uma pausa para almoçar, descansar e refletir um pouco sobre o passeio, satisfeitos com essa lembrança única.

Museu do Cairo

Após o almoço, seguimos para a visitação do Museu do Cairo, outro local obrigatório para visitar no Egito. Mesmo com os saques, exportação e venda de itens para os países colonizadores, o museu da capital abriga um acervo valioso de sarcófagos, múmias e itens dos mais diversos e de todas as fases da civilização egípcia.

Além de um hall com muitos sarcófagos, o museu também tem uma pedra de roseta inteira e completa (a mais famosa que está na inglaterra está quebrada), itens como esquadros, réguas de nível, utensílios de engenharia e até quadrinhos (sim, há uma história que o Walt Disney teve a inspiração do Mickey depois de visitiar o Egito e ver alguns quadrinhos feitos pelos egípcios).

Finalmente, o hall e sala com os itens encontrados na famosa tumba de Tutankamon são o ápice da visita e são de impressionar, principalmente o sarcófago e a máscara de Nefertiti com seus mínimos detalhes, ornamentos de pedras preciosas e ouro. A visitação ao museu é uma viagem pelo Egito e nos dá uma ideia do que recheava os templos que visitamos ao longo da viagem, hoje vazios para visitação.

Mecado Khan El Kalili, Mesquita de Muhammad Ali e Museu da Civilização Egípcia

A agenda desse dia pelo Cairo estava cheia e continuamos no final da tarde até o bairro conhecido como Cairo islâmico. Vale lembrar aqui que no Egito a maior parte da população (~90%) segue o islamismo como religião, porém ainda existe uma parcela critã que divide os corações. Assim, ao visitar essa região pudemos experienciar a história muçulmana e como ela influenciou e segue presente no dia a dia da população do Cairo.

Um pouco do Cairo.

Um dos símbolos e lugares mais interessantes nessa região é o mercado Khan El Kalili. Imagine aquele mercado denso, com itens diversos como relógios, tecidos, frutas, pratarias, todos imersos em uma arquitetura cheia de detalhes, arabescos e motivos geométricos. O mercado é essa sopa cultural e onde mergulhamos, caminhamos e ficamos muito impressionados a cada esquina e edifício – cenários dignos de um filme. Tomamos um café em um restautante típico e então seguimos viagem. Na volta, passamos por alguns trechos ainda mais densos que deixavam a 25 de Março ou as ruas mais comerciais no bairro Brás em São Paulo parecendo uma pequena feira.

Outros dois passeios que fizemos ainda na cidade do Cairo e que vale a pena citar aqui foram para a Mesquita de Muhammad Ali, conhecida como a mesquita de alabastro por conta do material que a recobre tanto por dentro como por fora, além do Museu da Civilização Egípcia, para onde levaram as principais múmias e que tem um acervo também grandioso da história da região.

Chegada à Mesquita.
O famoso relógio no pátio da Mesquita.

Ambos valem muito a visita e um destaque para a mesquita, que além de históricoa e muito bonita, fica no topo do monte Muqatam, no interior da Cidadela de Saladino. Assim, é possível ter uma vista exclusiva de toda a cidade islâmica e apreciar o nascer ou por do sol, a depender do horário. Um outro item bastante curioso que está nessa mesquista é o relógio que foi trocado por um dos obeliscos, seria trágico se não fosse cômico mas de acordo com o guia esse relógio nunca funcionou consistentemente e demandou diversas manutenções. Hoje está parado e só serve mesmo de ornamento no pátio da mesquita.

Alexandria

Nossa última parada no Egito antes de retornar foi na cidade de Alexandria. Mais um ícone na história antiga por ser um pólo cultural e comercial no mar mediterrâneo e pela famosa biblioteca de farol de Alexandria.  Depois de tomar café no hotel no Cairo, pegamos fomos para Alexandria de carro, em um passeio contratado também na Memphis tour. A primeira parada foi a Fortaleza de Qaitbay, uma grande fortaleza defensiva, construída em 1480 pelo sultão Qaitbay no local que anteriormente estava o farol de Alexandria.Inclusive essa fortaleza foi construída com as mesmas pedras do farol, após sofrer danos significativos após múltiplos terremotos em 956 e novamente em 1303 e 1323. Também visitamos as Catacumbas de Kom El Shukafa, dos séculos I e II e o Pilar de Pompeya.

Fortaleza de Qaitbay.
Ana nas profundezas da fortaleza.
Pilar de Pompeya.

Finalmente, fomos à nova Biblioteca de Alexandria, contruída no mesmo local onde esteve a original e que foi destruída após diversos saques, incêndios e terremotos. A biblioteca nova é linda e monumental. Vale muito a pena visitar, continua imponente como imagino ter sido a original, com múltiplos níveis e preserva alguns detalhes arquitetônicos que eram encontrados na primeira versão como nichos nas paredes onde eram guardados os pergaminhos e rolos com informação e conhecimento da época.

Biblioteca de Alexandria – parte externa.
Biblioteca – parte interna.

Já de tarde, fomos almoçar próximos ao mar e depois pedi ao motorista para ao menos molhar os pés naquele local histórico. Ali encontramos algumas crianças brincando, que ficaram super animadas ao nos ver em um lugar mais de moradores locais, tiramos uma foto com eles e foi um ótimo encerramento dessa viagem sensacional, com chave de ouro egípcio. Espero que tenham gostado do relato e que ele motive vocês a conhecerem mais países da África.

Despedida do Egito com a criançada 🙂

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *