Ao chegar no Egito pelo Cairo, ficamos num hotel bem próximo do aeroporto chamado Novotel Cairo Airport. Dormimos ali na primeira noite apenas para um descanso e na manhã seguinte já pegamos o vôo para o Assuã, região ao Sul do Egito e de onde iniciaríamos a nossa aventura. Contratamos o pacote dos passeios com a empresa Memphis Tour, então todos os transfers (aeroporto <> hotel e hotel <> atrações) estavam inclusos.
No primeiro dia já tivemos a magnífica surpresa de ver o Nilo, que estava logo à frente do nosso Hotel, Tulip. Embora a cidade fosse razoavelmente grande, nem se comparava ao Cairo e as margens do Nilo era levemente selvagem, dando um toque ainda mais bonito para a paisagem que já emocionava. Deixamos nossas bagagens no hotel e à tarde encontramos com o guia Amro, ícone da viagem e que nos acompanhou pro todo o tour no Sul, inclusive durante o cruzeiro no Nilo. Amro era egiptólogo, falava português fluente e inclusive já tinha vindo ao Brasil. Conhecia bem nossa cultura e costumes e foi um excelente profissional ao longo de toda a viagem, além de um amigo que levamos com carinho nas lembranças. O grupo tinha mais 3 casais além de nós, totalizando 8 pessoas, todos do Brasil e com quem nos divertimos muito ao longo da viagem, pessoal gente finíssima.

Primeira parada nesse dia foi o Obelisco Inacabado, um canteiro de obras que por sorte foi preservado e onde é possível ver a prova de que toda a matéria prima dos templos e monumentos realmente eram extraídos das pedreiras de calcário do Sul. Nesse caso estavam esculpindo o obelisco ainda no solo mas ele rachou e deixaram a peça lá mesmo. É gigantesco, maior inclusive que muitos obeliscos que vimos ao longo da viagem e vale a pena conhecer para ter a ideia do trabalho excepcional que os operários, engenheiros e arquitetos empenharam para projetar e erguer cada pedra na construção do império – usando o Nilo como via de transporte principal.

Seguindo, passamos pela barragem de Assuã, que vale mencionar que é uma entre muitas represas do Nilo, seja para geracão de energia ou para controle das cheias e secas. Lemos muito sobre as cheias e secas do Nilo como essenciais para a agricultura egípcia mas, após a construção dessas barragens, não existem mais essas variações, sendo substituída pelas tecnologias de irrigação. Em contra-partida, as regiões inundadas pelas contruções foram bastante impactadas e os dois templos que cito aqui no relato precisaram ser movimentados em sua totalidade para lugares mais altos ou ficariam submersos para sempre – loucura né?!
O primeiro templo que visitamos foi o Templo Philae. Para chegar até lá, pegamos um barco num pier com muitos locais, pessoal que ganha a vida fazendo esse trajeto. Alguns minutos de barco e chegamos no templo, que fica numa ilha. A emoção foi indescritível ao ver aquele templo surgir no horizonte no meio da ilha, paredes altas e calcáreas, com hieróglifos egípcios ao vivo, De repente, estávamos de frente com um templo da maior civilização que já existiu na terra, feito há mais de 2 mil anos com uma arquitetura e detalhes de impressionar.


Embora o templo tivesse sofrido uma degradação pela água e então ter sido movido para um local mais alto por conta da inundação da represa, ainda estava muito bem preservado. Outro ponto que chamou minha atenção e que vimos ao longo de toda a viagem foi que os hieróglicos não se concentravam em algumas partes ou paredes, mas estavam em TODAS as paredes e tetos, para onde quer que você olhasse via os símbolos, todos com um aquele padrão e simetria milimétrica. O guia Amro explicou detalhadamente as histórias e significados daquele templo, que foi dedicado às deusas Isis e Hathor.
Já se passava das 14h e o Sol estava cozinhando, por isso buscávamos uma sombra sempre que possível. Estávamos sempre com umas 2 garradas de 500ml de água na mochila e também levei um Camelback cheio (~1.5l) de backup. Até aquele momento já tínhamos bebido pelo menos 1.5 litro. Um ponto positivo dos templos é que em geral sempre tinham um pátio amplo com paredes e colunas altas, que faziam uma boa sombra, além dos salões e câmaras cobertos, bem frescos em comparação com as áreas abertas. Outro detalhe que mencionei na introdução é que por conta do calor e da época, esse e outros templos estavam tranquilos com poucos turistas e conseguimos tirar ótimas fotos.
Voltamos ao hotel e nos preparamos para a manhã seguinte, que madrugaríamos no micro-ônibos a caminho de Abu Simbel.
Abu Simbel
O templo de Abu Simbel também marcou minha memória, além de ser icônico por ser esculpido diretamente na rocha, também foi movido de lugar para não ficar submerso após a contrução da represa. No famoso livro de Agatha Christie, Assassinato no Nilo, o grupo também vai até esse monumento.


Ele fica no local mais ao Sul que visitamos no Egito e saindo de Assuã de ônibus demoramos em torno de 4h para chegar. No caminho foi interessante observar o deserto, em alguns locais bastante inóspitos além da areia também apareciam pequenas montanhas em formato de pirâmide, esculpidas naturalmente pelo vento e provavelmente uma inspiração para as construções desse tipo, Esse fato inclusive reforça a realidade da época, onde os egípcios foram sim os idealizadores de todas as construções, contando com sua genialidade e criatividade, sem precisar de nenhuma consultoria extra-terrestre – teoria no caso reforçada por uma imagem eurocêntrica para minimizar e tirar os créditos do povo africano. Além delas, vimos algumas plantações que só sobreviviam por conta de um sistema de irrigação circular.

Chegamos na região do templo e primeiro que visitamos foi o menor, templo da Rainha Nefertari, também chamado de Templo de Hathor, que foi a esposa do Deus Sol de uma forma simbólica, após caminhar por uma estrada de pedra. A descoberta deixou todos boquiabertos e o caminho que o Amro sugeriu foi muito legal pois viemos por trás da montanha e o templo vai se revelando aos poucos conforme vamos completando a volta. É impressionante, e mesmo com o calor no seu pico, você ainda consegue permanecer sob o Sol admirando a construção. Enquanto o Amro explicava, eu começava a suar parado – ali foi o local mais quente e úmido de toda a viagem e a solução novamente foi tomar bastante água e aceitar que o suor era inevitável.
Depois desse templo, seguimos para o maior e mais imponente, que tem 4 imagens gigantescas e imponentes de Ramsés II na sua frente. Esse templo foi dedicado aos 4 deuses Ptah, Re-Her-Akhter, Amon-Rá, a ao próprio Ramsés II. O Grande Templo de Abu Simbel é também conhecido como o Templo do Sol de Ramsés II. O interior desse templo na minha opinião foi um dos mais belos, com sua arquitetura imponente e as estátuas em pé como colunas formando um corredor para quem entrava, guiando até a câmara ao fundo. Admiramos cada detalhe externo e interno, as centenas de hieróglifos e a simetria egípcia sempre perfeita. Tiramos muitas fotos também porém nesse templo os turistas foram chegando em peso e no fim da tarde já estava bem cheio. Não foi um problema pois tinha espaço e beleza para cada um admirar e registrar. Fomos embora no final da tarde, de volta ao micro-ônibus, ainda processando a magnitude e relevância daquelas construções, obras primas que refletem a glória e a grandiosidade do Novo Império.

Ao final da tarde, retornamos para o hotel para então iniciar a nova etapa da aventura, um Cruzeiro pelo Nilo, assim como a Agatha Christie fez e se inspirou para escrever o seu famoso livro “Assassinato no Nilo”.